A Polícia Civil de São Paulo divulgou, nesta segunda-feira (8), a identificação dos dois homens suspeitos de invadir a Biblioteca Mário de Andrade, no Centro da capital, e roubar 13 obras de arte em plena manhã de domingo (7). O crime atinge diretamente o acervo de uma das mais importantes instituições culturais do país e…
A Polícia Civil de São Paulo divulgou, nesta segunda-feira (8), a identificação dos dois homens suspeitos de invadir a Biblioteca Mário de Andrade, no Centro da capital, e roubar 13 obras de arte em plena manhã de domingo (7). O crime atinge diretamente o acervo de uma das mais importantes instituições culturais do país e envolve gravuras de dois ícones da arte mundial: Henri Matisse e Candido Portinari.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, os criminosos renderam uma vigilante e um casal de idosos que visitava a biblioteca. Em seguida, seguiram até a cúpula de vidro do prédio, de onde retiraram documentos e oito quadros, colocando o material em uma sacola de lona antes de fugir pela entrada principal. Vigilantes ainda correram para pedir ajuda a policiais militares que patrulhavam a região, mas a dupla não foi localizada naquele momento.
A identificação dos suspeitos foi possível graças às imagens do sistema de monitoramento SmartSampa, que registraram os dois homens circulando em uma van azul pela região central. Em um dos vídeos, o veículo estaciona na Rua João Adolfo às 10h43; os dois descem, caminham pela calçada e, depois, retornam ao automóvel. Em seguida, um deles aparece retirando telas de dentro da van e atravessando a rua com as obras nas mãos.
Outro ângulo mostra o momento em que três telas são deixadas encostadas em um muro no cruzamento da Rua João Adolfo com a Rua Alfredo Gagliotti. Depois disso, o homem corre e some das imagens, e ainda não se sabe se outra pessoa recolheu o material ou se os próprios ladrões voltaram para buscá-lo. Até a última atualização, as obras continuavam desaparecidas.
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa informou que foram levadas oito gravuras de Henri Matisse e cinco de Candido Portinari, da série “Menino de Engenho”. Os valores de seguro das obras são mantidos em sigilo por contrato, segundo o curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), Cauê Alves. As gravuras de Matisse integravam uma exposição de 20 pranchas do artista, ligadas ao livro “Jazz”, e, pela disposição das peças, é possível identificar quais foram subtraídas.
Entre as gravuras roubadas de Matisse estão obras como “Le clown” (O palhaço), “Le cirque” (O circo), “Monsieur loyal”, “Cauchemar de l’Eléphant Blanc” (O pesadelo do elefante branco), “Le Codomas”, “La nageuse dans l’aquarium” (O nadador no aquário), “L’avaleur de sabres” (O engolidor de sabres) e “Le Cowboy”. Já as gravuras de Portinari levadas fazem parte da série de ilustrações de “Menino de Engenho”, reforçando o valor histórico e artístico do material subtraído.
A Biblioteca Mário de Andrade é mantida pela gestão municipal e é considerada a segunda maior biblioteca do país e a maior biblioteca pública da cidade de São Paulo. Com 100 anos recém-completados, o equipamento recebeu mais de 207 mil visitantes no ano passado e guarda um acervo de enorme relevância para a memória cultural brasileira.
Não é a primeira vez que o local é alvo de criminosos. Em 2006, 12 gravuras raras do século 19 foram furtadas do acervo e só foram recuperadas em 2024, 18 anos depois, pela Polícia Federal. As peças, datadas de 1834, faziam parte do livro “Souvenirs de Rio de Janeiro”, com ilustrações pintadas pelo suíço Johann Jacob Steinmann, e acabaram encontradas com um colecionador brasileiro que as havia comprado legalmente em uma casa de leilões em Londres.
O caso atual é investigado pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco). A polícia tenta localizar os dois suspeitos já identificados nas imagens e recuperar as obras de Matisse e Portinari. O episódio reacende o debate sobre a segurança de museus e bibliotecas públicas no Brasil e a necessidade de fortalecer a proteção do patrimônio artístico e histórico em um cenário em que peças valiosas seguem na mira de quadrilhas especializadas.
FONTE: UOL