O governo do presidente Donald Trump apresentou uma nova estratégia de segurança nacional que reposiciona o foco militar dos Estados Unidos para o próprio hemisfério ocidental, com ênfase direta no combate a cartéis, tráfico de drogas, tráfico humano e imigração ilegal. O documento determina “destacamentos direcionados” e autoriza, quando necessário, o uso de força letal…
O governo do presidente Donald Trump apresentou uma nova estratégia de segurança nacional que reposiciona o foco militar dos Estados Unidos para o próprio hemisfério ocidental, com ênfase direta no combate a cartéis, tráfico de drogas, tráfico humano e imigração ilegal. O documento determina “destacamentos direcionados” e autoriza, quando necessário, o uso de força letal para enfrentar organizações criminosas que operam na América Latina e no Caribe, numa tentativa declarada de “substituir a lei fracassada”.
A Casa Branca quer ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha em rotas marítimas estratégicas, especialmente no Caribe e no Pacífico, por onde passam embarcações ligadas ao narcotráfico. Nos últimos meses, os EUA têm intensificado ataques a barcos suspeitos e associado publicamente o regime venezuelano às atividades criminosas, chegando a classificar o chamado Cartel de los Soles, ligado a militares da Venezuela, como organização terrorista, algo que Caracas nega.
Além da frente de segurança, o texto explicita a disputa geopolítica com a China na região, apontando que o poder econômico chinês sobre a América Latina se deve ao excedente industrial voltado a mercados emergentes. A resposta de Trump é usar tarifas, acordos comerciais e pressão diplomática para “rebalancear” o comércio e abrir mais espaço para produtos e investimentos americanos, reduzindo a influência de Pequim no continente.
A estratégia também resgata a velha Doutrina Monroe, ao anunciar um “Corolário Trump” que atualiza a ideia de “América para os americanos” para o século 21. Segundo o documento, o objetivo é manter o hemisfério “razoavelmente estável e suficientemente bem governado” para evitar migrações em massa rumo aos EUA e garantir governos dispostos a cooperar com Washington no combate a cartéis, narcoterrorismo e crime transnacional.
Por fim, o plano enquadra a América Latina dentro de uma visão global mais ampla, que inclui a proteção de rotas vitais no Indo-Pacífico, a segurança e liberdade na Europa e a disputa por recursos energéticos e influência no Oriente Médio. Em todos esses cenários, a mensagem é a mesma: Trump quer um papel mais assertivo dos EUA, usando poder militar, pressão econômica e retórica dura para reforçar interesses americanos e conter adversários e organizações criminosas em diferentes frentes.
Fonte: CNN Brasil