A tensão entre Japão e China voltou a subir depois que o governo japonês acusou caças chineses de apontarem seus radares para aeronaves japonesas em dois incidentes recentes perto de Okinawa. O episódio ocorre em um momento de atrito crescente no leste da Ásia, especialmente em torno de Taiwan e das rotas estratégicas do Indo-Pacífico.…
A tensão entre Japão e China voltou a subir depois que o governo japonês acusou caças chineses de apontarem seus radares para aeronaves japonesas em dois incidentes recentes perto de Okinawa. O episódio ocorre em um momento de atrito crescente no leste da Ásia, especialmente em torno de Taiwan e das rotas estratégicas do Indo-Pacífico.
Segundo o governo japonês, os caças chineses J-15 partiram do porta-aviões Liaoning, que navegava ao sul das ilhas japonesas acompanhado por três destróieres. Em resposta, o Japão acionou caças F-15 para monitorar as operações aéreas do grupo naval chinês na região.
A primeira-ministra Sanae Takaichi classificou o uso de radar sobre as aeronaves japonesas como um ato “perigoso” e “extremamente lamentável”, afirmando que ultrapassa o que seria aceitável para a segurança dos voos. O governo de Tóquio apresentou protesto formal a Pequim e declarou que continuará acompanhando de perto a movimentação militar chinesa.
Em encontro com o ministro da Defesa australiano, Richard Marles, o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, prometeu uma resposta “resoluta e calma”, reforçando o compromisso de manter a estabilidade regional. Marles disse estar “profundamente preocupado” com as ações recentes da China e afirmou que a Austrália seguirá ao lado do Japão na defesa de uma ordem internacional baseada em regras.
Do lado chinês, o porta-voz da Marinha, coronel Wang Xuemeng, acusou os aviões japoneses de se aproximarem repetidamente de forma a atrapalhar exercícios navais chineses descritos como treinamentos previamente anunciados ao leste do Estreito de Miyako. Ele exigiu que o Japão pare de “caluniar e difamar” e avisou que a China tomará “medidas necessárias” para proteger sua segurança e seus “direitos legítimos”.
Os novos episódios se somam a um histórico de acusações mútuas. Em 2013, o Japão afirmou que um navio de guerra chinês travou o radar sobre um destróier japonês; em 2016, foi a vez de a China acusar aviões japoneses de mirarem seus radares em caças chineses; e em junho deste ano, Tóquio relatou outra aproximação considerada perigosa de aeronaves chinesas perto de Okinawa.
A disputa acontece em uma região sensível, marcada por divergências em torno de Taiwan e de rotas marítimas estratégicas. Taiwan afirma que a presença de mais de 100 embarcações chinesas em áreas do leste asiático representa ameaça ao Indo-Pacífico e acusa Pequim de usar “guerra psicológica” e narrativas enganosas para pressionar a ilha.
A China reivindica soberania sobre todo o Estreito de Taiwan, enquanto Estados Unidos, Japão e a própria Taiwan defendem que se trata de uma via internacional. O Japão abriga a maior concentração de poder militar dos EUA fora do território norte-americano, com navios, aeronaves e milhares de fuzileiros baseados em Okinawa, o que torna qualquer incidente na região ainda mais sensível para a segurança global.