A greve dos caminhoneiros anunciada para o dia 4 de dezembro de 2025 terminou antes mesmo de começar, e o próprio idealizador do movimento reconheceu o fracasso. Francisco Burgardt, conhecido como Chicão Caminhoneiro, admitiu que a paralisação não “pegou” nas estradas e afirmou que a mobilização foi sabotada e não teve adesão significativa da categoria…
A greve dos caminhoneiros anunciada para o dia 4 de dezembro de 2025 terminou antes mesmo de começar, e o próprio idealizador do movimento reconheceu o fracasso. Francisco Burgardt, conhecido como Chicão Caminhoneiro, admitiu que a paralisação não “pegou” nas estradas e afirmou que a mobilização foi sabotada e não teve adesão significativa da categoria em todo o país.
Chicão chegou a divulgar, ao lado do desembargador aposentado e influenciador de direita Sebastião Coelho, um vídeo em frente ao Planalto anunciando a greve e tentando dar peso político ao movimento. Na prática, porém, as rodovias continuaram liberadas, os caminhoneiros seguiram trabalhando normalmente, e o chamado à paralisação encontrou uma categoria dividida e desconfiada das lideranças.
Entidades como sindicatos e associações regionais adotaram posições diferentes, algumas sinalizando apoio às pautas, outras preferindo distância da mobilização. O próprio deputado federal Zé Trovão (PL-SC), um dos nomes mais identificados com os caminhoneiros, se colocou contra a greve, acusando os organizadores de não defenderem as reais demandas da base e de buscarem interesses próprios, o que ajudou a esvaziar de vez o movimento.
Entre as reivindicações estavam estabilidade contratual, revisão do Marco Regulatório do Transporte de Cargas e aposentadoria especial após 25 anos de atividade, bandeiras antigas e relevantes para o setor. Ainda assim, a falta de unidade, a disputa de protagonismo e a ausência de uma articulação robusta mostraram que a categoria, hoje, tem dificuldade de construir uma paralisação nacional como as vistas em anos anteriores.
O episódio deixa um recado claro: sem liderança coesa, pauta alinhada com a base e estratégia bem organizada, qualquer tentativa de greve tende a naufragar rapidamente. Para muitos caminhoneiros, o fracasso da mobilização de dezembro expõe a necessidade de reorganizar a representação do setor e recolocar no centro do debate o que realmente impacta o dia a dia de quem vive na estrada.
Fonte: Folha de Curitiba