Deputadas do PSOL aproveitaram o grave cenário de feminicídios no Brasil para pressionar o presidente Lula, em Brasília (DF), a reconhecer um estado de calamidade no país por causa dos crimes contra mulheres. A iniciativa é apresentada como resposta à violência, mas reforça a estratégia de parte da esquerda de apostar em gestos simbólicos e…
Deputadas do PSOL aproveitaram o grave cenário de feminicídios no Brasil para pressionar o presidente Lula, em Brasília (DF), a reconhecer um estado de calamidade no país por causa dos crimes contra mulheres. A iniciativa é apresentada como resposta à violência, mas reforça a estratégia de parte da esquerda de apostar em gestos simbólicos e em mais burocracia, em vez de enfrentar o núcleo do problema: a impunidade, a fragilidade do sistema de segurança e Justiça e a falta de responsabilidade real de quem governa.
O pedido encaminhado ao governo menciona dados elevados de feminicídios, com aumento em relação ao ano anterior, e tenta enquadrar esse cenário como justificativa para um regime de exceção administrativo. No entanto, o discurso ignora que o Brasil já possui leis específicas, instrumentos de proteção e meios legais para punir agressores, que muitas vezes não funcionam por falhas na aplicação, pela lentidão dos processos e por decisões que acabam beneficiando criminosos reincidentes. Em vez de cobrar a execução firme das leis, o fortalecimento das polícias e a responsabilização de juízes, promotores e autoridades que falham, o debate é deslocado para mais um pedido de “ato político” do Planalto.
Ao transformar tragédias em palco para agendas ideológicas, parte da classe política evita discutir medidas duras contra o crime e contra a leniência do sistema. Fala-se em estado de calamidade, mas não se fala em revisar brechas legais, combater decisões que aliviam penas, nem em enfrentar a cultura de tolerância com criminosos, incentivada por anos de discursos garantistas e por um sistema que muitas vezes parece mais preocupado com o réu do que com a vítima. Essa postura também poupa o STF e outras instâncias de cobrança direta, mesmo quando decisões judiciais contribuem para a sensação de que o crime compensa, alimentando o ciclo de violência que afeta principalmente mulheres e famílias mais pobres.
fonte: folha