O Datafolha divulgou um novo levantamento presidencial em que Lula aparece com ampla vantagem num cenário de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro. Segundo a pesquisa, se a eleição fosse hoje, o petista teria 51% das intenções de voto, contra 36% de Flávio, uma diferença de 15 pontos percentuais. O dado, porém, foi colhido…
O Datafolha divulgou um novo levantamento presidencial em que Lula aparece com ampla vantagem num cenário de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro. Segundo a pesquisa, se a eleição fosse hoje, o petista teria 51% das intenções de voto, contra 36% de Flávio, uma diferença de 15 pontos percentuais. O dado, porém, foi colhido antes mesmo de o filho 01 ser oficializado como candidato da direita para 2026, com Jair Bolsonaro preso, a direita ainda em processo de reorganização e sem qualquer campanha efetiva nas ruas.
O instituto testou também outros nomes do campo conservador. Em um eventual confronto contra Eduardo Bolsonaro, Lula aparece com 52% a 32%. Já contra Tarcísio de Freitas, a vantagem cai para 5 pontos, indicando que, quando a disputa envolve um nome com gestão recente bem avaliada, o cenário já fica mais apertado. Em simulações com Ratinho Junior e Michelle Bolsonaro, o presidente também lidera, reforçando a mensagem central da pesquisa: Lula seria favorito contra qualquer candidato ligado ao bolsonarismo.
Para a direita, entretanto, é impossível ignorar o histórico do próprio Datafolha. O instituto errou feio na eleição de 2022, subestimando o desempenho de Jair Bolsonaro e ajudando a construir, durante toda a campanha, um ambiente de “vitória certa” para o PT. Agora, com Lula no poder, crise econômica, insegurança crescente e desgaste nítido da popularidade, o mesmo Datafolha reaparece apontando larga vantagem para o petista, mesmo num cenário em que o principal adversário de seu campo político está atrás das grades e impedido de fazer campanha.
Outro ponto relevante é o contexto em que o levantamento foi realizado: as entrevistas ocorreram entre 2 e 4 de dezembro, antes do anúncio formal de Flávio como candidato e antes de qualquer movimento coordenado da direita para unificar discurso, organizar palanques e levar às ruas pautas como anistia aos presos de 8 de janeiro, liberdade de expressão e reação ao ativismo judicial. Em outras palavras, a fotografia da pesquisa captura um momento de dispersão da oposição e de desinformação do eleitor sobre quem, de fato, será o nome que enfrentará Lula em 2026.
Mesmo assim, a divulgação dos números serve como instrumento político. A velha imprensa transforma a pesquisa em manchete para reforçar a ideia de que Lula continua forte, que a direita estaria “fadada à derrota” e que qualquer tentativa de reorganização do bolsonarismo seria apenas um esforço residual. Isso interessa diretamente a um governo que enfrenta dificuldades para entregar resultados concretos e precisa manter a narrativa de que ainda representa a “vontade da maioria”, mesmo com crescente insatisfação nas ruas.
Do ponto de vista do eleitor conservador, o efeito não deve ser o de desmobilização, e sim de alerta. Pesquisas como a do Datafolha ajudam a lembrar que a disputa será dura e que não haverá espaço para acomodação. Com Flávio Bolsonaro escolhido como candidato, a direita tem a chance de transformar temas como liberdade, anistia, combate à censura e crítica ao sistema de Justiça em eixo central de campanha, confrontando diretamente o legado do governo Lula. E, como se viu em 2018 e em 2022, o voto conservador costuma pesar muito mais na urna do que nas sondagens divulgadas meses ou anos antes da eleição.
Fonte: Bacci Notícias