A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu com dureza às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou neste domingo (7) que sua candidatura à Presidência em 2026 é “negociável” e que existe um “preço” para eventualmente desistir da disputa. A declaração do senador foi interpretada como um recado direto: a pauta da anistia…
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu com dureza às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou neste domingo (7) que sua candidatura à Presidência em 2026 é “negociável” e que existe um “preço” para eventualmente desistir da disputa. A declaração do senador foi interpretada como um recado direto: a pauta da anistia aos condenados do 8 de janeiro, incluindo Jair Bolsonaro, está no centro da mesa política e terá peso na estratégia da direita nas eleições de 2026.
Em entrevista à CNN, Gleisi acusou Flávio de fazer “chantagem” e disse que a anistia “não está em negociação”, chamando a candidatura de “farsa lançada para ameaçar de novo o país”. O tom adotado pela ministra tenta deslegitimar qualquer debate sobre anistia, tema previsto na Constituição e historicamente usado em momentos de tensão política, enquanto o governo Lula se beneficia de decisões do STF que enquadram adversários como golpistas, com penas pesadas e prisões prolongadas, em contraste com a leniência em outros casos de corrupção e crime comum.
A fala de Gleisi também revela o desconforto do Planalto com o fato de a oposição usar justamente o tema da anistia como moeda no tabuleiro eleitoral. Ao apresentar a posição da direita como simples “chantagem”, o governo ignora a indignação de parte expressiva da população com o que enxerga como perseguição política, excesso punitivo e seletividade nas decisões do STF, que trata com mão de ferro militantes ligados a Bolsonaro, enquanto outros movimentos e figuras da esquerda raramente enfrentam o mesmo rigor.
Na sexta-feira (5), Flávio havia confirmado que Jair Bolsonaro o escolheu como seu nome para disputar o Planalto em 2026, falando em “missão” para dar continuidade ao projeto de nação do pai. O próprio governo e setores da imprensa passaram a tratar essa candidatura como mais “previsível” e “equilibrada” aos olhos do mercado, em comparação a outros nomes da família, mas, na prática, o fato de Gleisi atacar a “farsa” mostra que o PT sabe que a direita, mesmo sob forte cerco judicial, continua viva politicamente e capaz de pautar o debate público.
Ao carimbar como “chantagem” qualquer menção a anistia, o governo Lula tenta manter o monopólio do discurso sobre democracia e instituições, como se apenas um lado tivesse direito a negociar, pressionar e articular saídas políticas. Na outra ponta, a direita explora justamente esse contraste: enquanto empreiteiros, corruptos e criminosos perigosos já foram beneficiados por decisões brandas ou acordos generosos, manifestantes e aliados de Bolsonaro seguem atrás das grades, servindo de exemplo em um país onde o rigor da lei varia conforme o endereço ideológico do réu.